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O rádio está chegando ao painel do carro com logo e capa — e 6 em cada 10 emissoras ainda não estão prontas

Por Redação xCAST Rádios · 25/08/2026

Durante muito tempo, o rádio no carro foi uma faixa de frequência e um número no visor. Isso está mudando. A nova geração de centrais multimídia começa a tratar cada emissora como as plataformas de streaming tratam suas playlists: com logo, nome do programa, título da música e capa do álbum na tela, atualizados enquanto você dirige.

O movimento ganhou escala em 2026. A BYD anunciou a adoção da plataforma DTS AutoStage, da Xperi, como sistema de mídia dos seus próximos veículos, com implantação prevista a partir do último trimestre do ano e a América Latina no pacote. No Brasil, emissoras de portes bem diferentes já ativaram a tecnologia, e o assunto ocupou boa parte da programação dedicada ao rádio no SET Expo 2026, em São Paulo, sob o nome que virou guarda-chuva do tema: Rádio 3.0.

Para o ouvinte, a promessa é simples: o rádio deixa de ser o único ícone feio do painel. Para quem tem emissora, há uma condição menos confortável embutida nessa promessa — a tela só mostra o que a emissora manda.

O que a tela do carro precisa receber

Nada disso é gerado pelo carro. O logo, o nome da música e a capa aparecem porque a emissora envia essa informação junto com o som, num campo de texto que acompanha a transmissão. É o mesmo campo que faz o nome da música aparecer no player do celular, no computador e nos aplicativos.

A informação precisa chegar em um formato que a outra ponta consiga ler. Na prática, isso significa duas coisas: o nome do artista separado do título da música, e um logo cadastrado. Sem a primeira, o sistema não tem como buscar a capa do álbum nem exibir o artista. Sem a segunda, sobra um ícone genérico.

O que as rádios online brasileiras estão mandando hoje

Fomos ver como está esse campo neste momento. Entre as 2.608 emissoras no ar no dia da apuração, o quadro é o seguinte:

O que a emissora está enviandoEmissoras%
Uma música que dá para identificar (artista e título separados)1.01438,9%
Algum texto que não é uma música93135,7%
Nada — o campo chega vazio66325,4%

Ou seja: seis em cada dez emissoras não conseguiriam mostrar a música que está tocando numa tela que soubesse exibi-la. Não é falta de tecnologia da emissora nem limitação do serviço de transmissão — é o conteúdo do campo.

O que aparece no lugar da música

O grupo mais numeroso é o das 931 emissoras que mandam alguma coisa, mas não uma música. Vale olhar o que é essa coisa, porque quase tudo ali tem conserto rápido:

O que chega no lugar do nome da músicaEmissoras
Texto solto que não identifica uma faixa (nome de bloco, rótulo de programação)506
Artista e título grudados, sem separação353
Nome do arquivo do computador (“Faixa 07”, “CD 2”, “Track01”)40
Vinheta ou anúncio identificado como se fosse música11
Anúncio de hora certa11
Endereço de site no lugar do título10

Os casos são reconhecíveis para quem já mexeu com automação: uma emissora manda o rótulo do bloco de programação em vez do que está tocando dentro dele. Outra manda o artista repetido duas vezes, com o ano no meio. Uma terceira manda o endereço do site de onde o arquivo foi baixado. Em todos eles, o ouvinte vê aquilo — no player, no celular e, em breve, na tela do carro.

O logo é o problema maior

Se o nome da música é a metade difícil, o logo deveria ser a fácil. Não é o que os números mostram: das 2.608 emissoras no ar, apenas 475 (18,2%) têm um logo cadastrado. As outras 2.133 (81,8%) aparecem hoje com uma imagem genérica em qualquer lugar que peça a identidade visual da emissora — inclusive no futuro painel do carro.

É o tipo de item que fica para depois porque ninguém vê o custo dele. O custo aparece exatamente quando a emissora passa a dividir a mesma tela com outras cem, e é a única sem rosto.

Por que isso importa mais para a rádio pequena

Há uma leitura otimista aqui, e ela é real. Uma emissora que existe só na internet nunca vai disputar potência de transmissor com uma FM. Numa tela conectada, essa desvantagem some: o que aparece é o logo, o nome e a música — e nada disso depende do tamanho da antena.

Só que a chave dessa porta é o cadastro. A emissora que envia o nome da música corretamente e tem um logo decente compete em pé de igualdade. A que manda “Faixa 07” e não tem imagem entrega, por escrito, a impressão de que ninguém cuida dela.

O que dá para arrumar hoje

Três coisas resolvem a maior parte do que medimos, e nenhuma delas exige equipamento novo:

1. Separar artista e título. O formato que todo mundo lê é Artista - Título, com o hífen entre espaços. É configuração do programa de automação, e vale conferir também se os arquivos têm as informações preenchidas — o automatizador costuma repetir o que está no arquivo.

2. Tirar o rótulo do bloco do campo da música. Se a automação envia o nome do bloco ou da hora certa naquele campo, o ouvinte perde a informação do que está tocando durante todo o bloco.

3. Cadastrar um logo. Uma imagem quadrada, legível em tamanho pequeno, sem texto miúdo. É o que vai aparecer no celular, no aplicativo e na tela do carro.

Quem quiser conferir como a própria emissora está aparecendo agora pode abrir a página dela aqui no portal e olhar o bloco de músicas recentes: é exatamente o que os outros sistemas estão lendo. Se o que está ali não parece uma música, ainda dá tempo — a tela do carro só começa a chegar em quantidade no ano que vem.

Apuração feita em 25 de agosto de 2026, com as 2.608 emissoras que estavam no ar naquele momento. Foram consideradas “música identificável” as transmissões cujo campo de título trazia artista e nome da faixa separados.

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